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Perseguições e Triunfo
Loja Fênix - Lisboa / Portugal
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As Invasões Francesas deram rpetexto às autoridades para ajuntarem novo motivo de perseguir: o da traição à Pátria. embora os maçons se tivessem recusado a eleger Junot como seu grão-mestre e a substituir, nas lojas, o retrato do Príncipe Regente pelo de Napoleão e embora, por esses motivos e outros, de exaltação patriótica, as autoridades francesas de ocupação começassem desde logo a perseguir a Maçonaria portuguesa, a verdade é que os elementos absolutistas e reaccionários fixaram apenas, e procuraram fixar na memória do País, a mensagem de saudação que a Maçonaria dirigira a Junot quando da sua entrada em Lisboa, a qual resultava, tão somente, das instruções deixadas pelo Príncipe Regente a todos os cidadãos.
Em 1809-10 desencadeou-se a terceira grande vaga de perseguições, com as prisões de Março do primeiro ano indicado e as de Setembro de 1810 que, uma vez mais, desmantelaram a Maçonaria. Só findo o período das Invasões Francesas e restaurada a paz interna se assistiu a um renascimento da Ordem, ao redor de 1813. Reiniciou os trabalhos a loja "Regeneração", despertou, no ano seguinte, a loja "Virtude", em Lisboa, ao lado da nova loja, "Filantropia", em Santarém. A "União", a "Concórdia", a "Beneficência" e a "Fidelidade" reapareceram também. Mas foi sol de pouca dura. Em 1817, a quarta perseguição, terrivelmente feroz, levou ao cadafalso em S. Julião da Barra o grão-mestre Gomes Freire de Andrade e vários companheiros seus, executados no Campo de Santana, em Lisboa.
À repressão de 1817 seguiu-se o alvará com força de lei de 1818 que, acrescentando-se à bula de Clemente XII, declarava "criminosas e proibidas todas e quaisquer sociedades secretas", incorrendo os seus membros em crime de lesa-majestade, com as severas penalidades consequentes, que podiam ir até à pena de morte e ao confisco dos bens. A Maçonaria portuguesa, sem nunca paralisar de todo, reentrou na mais absoluta clandestinidade. A maior parte das lojas abateu colunas, sendo criada, para centralizar toda a acção maçónica, a loja "Segurança Regeneradora". Não se procedeu à substituição do grão-mestre, assumindo, colectiva e interinamente, as suas funções uma Comissão Administrativa de altos dignatários da Ordem. tudo isto não impediu a fundação de, pelo menos, duas oficinas, a "Liberdade" em Elvas e a "Sapiência" em Coimbra, ambas em 1818.
Como vanguarda de todos os movimentos progressistas, a Maçonaria havia de visar a supressão do regime absoluto. Gomes Freire e os seus camaradas foram as almas da malograda conspiração de 1817. Maçons, igualmente, fundaram o Sinédrio, de onde saiu a revolução vitoriosa de 24 de Agosto de 1820. Eram maçons todos os grandes nomes do Vintismo: Fernandes Tomás, Ferreira Borges, Silva Carvalho, Borges Carneiro, etc. Em 1821, a composição da Grande Dieta patenteava eclesiásticos, magistrados, professores universitários, oficiais do exército e burgueses nobilitados, a élite, portanto, da burguesia, com pouca penetração da aristocracia terratenente. Vintismo e Maçonaria identificavam-se.
De 1820 a 1823 a Maçonaria portuguesa conheceu o seu primeiro período de apogeu e de aparecimento à luz do dia. O número de lojas multiplicou-se, existindo mais de uma dúzia, tanto em Lisboa como na província. A Constituição maçónica de 1821, cuja estrutura e até parte da fraseologia prenunciavam as da Constituição civil de 1822 - redigida por juristas maçons - era um longo e bem elaborado texto de 127 artigos, iniciando-se com uma declaração de direitos e deveres individuais, e continuando com uma declaração de direitos e deveres das lojas, uma organização tripartida de poderes (legislativo, executivo e judicial) e uma organização do governo ultramarino. Firmaram-na liberais ilustres como Agostinho José Freire (Séneca, 1º Grande Vigilante) e Borges Carneiro (Camilo, Grande Arquivista Chanceler). Como grão-mestre, foi eleito o juiz Dr. João da Cunha Souto Maior, um dos membros do Sinédrio.
Com a Vilafrancada, a Abrilada e o regresso do absolutismo, os maçons voltaram a ser perseguidos, encarcerados e mortos. Foi a quinta perseguição. Os decretos de 1823 e 1824 reiteraram o alvará de 1818. As actividades à luz do dia tiveram de ser suspensas até 1826, já sob o grão-mestrado de Silva Carvalho. De 1826 a 1828 manifestou-se um curto renascimento, de que se sabe hoje muito pouco, e que logo soçobrou na sexta e violenta perseguição do Miguelismo. Todos os maçons alinharam, evidentemente, com D. Pedro IV, pedreiro-livre ele próprio e grão-mestre da Maçonaria brasileira. Não admira, pois, que a história da Maçonaria de então quase tivesse coincidido com a história da gesta liberal.
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