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O Grão Mestrado

Loja Fênix - Lisboa / Portugal

Entretanto falecia, aos 7 de Dezembro de 1928, o Grão-Mestre Magalhães Lima. A Grande Dieta Maçónica elegeu, pouco tempo depois, António José de Almeida, cujo estado de saúde e senilidade precoce o impediam totalmente de consagrar à Ordem o tempo e os esforços de que ela carecia em período tão grave, e de ser, portanto, o chefe que pudesse erguer a bandeira do tremendo combate em curso. É verdade que o novo Grão-Mestre pouco tempo sobreviveu ao seu antecessor, visto ter falecido em 31 de Outubro de 1929. Mas esses curtos meses constituíram um momento crucial na história da Maçonaria portuguesa. A reacção cada vez mais levantava a cabeça, apoderando-se, em ritmo acelerado, das alavancas principais do comando. Salazar, ministro das Finanças, ia a pouco e pouco tomando conta da direcção suprema do Estado. Na noite de 16 de Abril de 1929, o Grémio Lusitano, sede da Maçonaria, era assaltado por elementos da Guarda Nacional Republicana e da Polícia, com a participação de numerosos civis. Foram presos e identificados todos os maçons que lá se achavam, com excepção dos oficiais do exército. Houve apreensões e actos de vandalismo. Daí para o futuro, os maçons deixaram de se poder reunir com a liberdade a que estavam acostumados, passando a depender do arbítrio do Governo Civil. Era o início da grande perseguição.

De Maio de 1929 a Março de 1930 o Palácio Maçónico encerrou as suas portas, para evitar a repetição de desacatos. Reaberto naquela data, voltou a encerrá-las anos mais tarde.

Reconhecendo a necessidade urgente de organizar uma defesa eficaz, o Conselho da Ordem, a que presidia José da Costa Pina, fez difundir a circular nº 1, de 11 de Junho de 1929, determinando a trangulação imediata de todas as lojas. Queria isto dizer que o número de obreiros de cada loja seria dividido por cinco, desmembrando-se essa loja em tantos triângulos quantos os resultantes do quociente dessa divisão. Em vez de reuniões magnas, de dezenas de pessoas, facilmente detectáveis pelas autoridades ou pelos seus espiões, passaria apenas a haver pequenos conciliábulos de cinco indivíduos no máximo, possíveis de realizar em residências particulares e até em locais públicos como cafés e restaurantes. A circular nº 1/29 foi corroborada pela circular nº 5/30, de 21 de Janeiro de 1930. Ao melhorarem as condições de trabalho, em Março deste último ano, foi permitido o regresso à normalidade, muito embora se aconselhassem as lojas a manter a triangulação. E muitas, com efeito, assim fizeram.

No último dia do ano de 1929, "num momento de grande gravidade para Portugal", a Maçonaria portuguesa elegia finalmente o seu chefe, na pessoa do novo Grão-Mestre, general Norton de Matos. Logo na primeira mensagem dirigida ao "povo maçónico", em 30 de Abril de 1930, Norton acentuava os fundos problemas da realidade portuguesa, coincitando a Maçonaria a marchar na vanguarda da grande obra de reorganização nacional. E continuava: "perante o tremendo desastre que representará para a Nação a vitória reaccionária que se está preparando, é dever nosso [...] empregar todos os meios pacíficos e dignos de que dispomos para desviar da Pátria as calamidades que a ameaçam". E desenvolvia todo um plano de actividade, talvez demasiado utópico para a hora que se atravessava, mas mesmo assim revestido de incontestável importância.