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A MAÇONARIA E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Irm.·. NIRLEI JUNQUEIRA VILELA

LOJA MAÇÔNICA PALADINOS DA PÁTRIA Nº 50
Grande Oriente de Minas Gerais

A implantação da República foi, sem dúvida, a maior revolução de nossa História, tendo como líderes os IIr.·. Deodoro da Fonseca e Benjamim constant.
A palavra REPÚBLICA, derivada do Latim (res publica), é definida como coisa pública.
É o istema de governo em que um ou vários indivíduos eleitos pelo Povo , exercem, em seu nome, o poder supremo, por um determinado tempo. A Proclamação da Repúvlica no Brasil foi uma conseqüência natural da profunda crise ocorrida no Império Brasileiro, provocada pelas transformações que ocorreram na Sociedade Brasileira, principalmente a partir de 1870, isto é, após o término da Guerra do Paraguai. As questões Militar, Religiosa e da Libertação dos Escravos, conjuntamente, foram as causas da queda do Império e da Proclamação da República, porque o poder do Governo Imperial sustentava-se, principalmente, na Escravidão, no Exército e na Igreja. A razão que levou o exército a contrapor-se ao Governo Imperial foi que, apesar de ter saído da Guerra do Paraguai vitorioso, fortalecido e modernizado, continuou a ser marginalizado pela aristocracia, que detinha o poder e, por isso, os militares passaram a acreditar que somente o Exército poderia salvar o Páis da crise econômica; dos problemas sociais; das fraudes eleitorais; da corrupção política, etc. A Igreja, por sua vez, queria sua liberdade, pois, encontrava-se submetida ao domínio Imperial. Em 1864, a Bula Papal "Syllabus" proibiu os padres de fazerem parte da Maçonaria, proibição que não foi aceita pelo Governo Imperial e, em 1874, o Primeiro-Ministro, Visconde do Rio Branco, Grão-Mestre da Maçonaria, mandou prender os Bispos de Olinda e de Belém do Pará, que mandaram fechar irmandades religiosas de Pernambuco e do Pará, cujos membros não tivessem abandonado a Maçonaria. Contudo, em 1875, sendo Primeiro-Ministro o Duque de Caxias, também membro da Maçonaria, foram aqueles prelados postos em liberdade. As diversas leis de cunho antiescravista, como a Lei do Ventre Livre (28.09.1871); a Lei dos Sexagenários (28.09.1885) e, finalmente, a Lei Áurea (13.05.1888), foram fatores preponderantes ao enfraquecimento do Império, contribuindo, decisivamente, para acelerar o processo que culminou na Proclamação da República. A atuação dos partidos políticos durante o Segundo Reinado foi bastante intensa e dois deles revezavam-se no poder: o Liberal e o Conservador. Contudo, em 1868, uma briga havida entre os membros do Partido Liberal provocou uma cisão, dando origem ao Partido Radical, em 1869, o qual, em 1870, publicou um manifesto criticando o fato de o Brasil ser a única Monarquia em todo o Continente Americano. O manifesto, assinado por Quintino Bocaiúva, Rangel Pestana, Saldanha Marinho e outros expoentes daquela geração, continha uma proposta de descentralização política, típica de uma Federação, isto é, de autonomia das províncias e municípios. Foi o embrião do Partido Republicano, que, poderosamente, abrigou em suas fileiras, duas fortes correntes de pensamento: os evolucionistas e os revolucionários. Os evolucionistas, representados por Quintino Bocaiúva, acreditavam na não-violência e julgavam que a República aconteceria naturalmente, sem lutas. Os revolucionários, representados por Silva Jardim (vide a Coluna Efemérides do Boletim de Julho de 2000), propunham a luta armada como meio de derrubar o Império. Os evolucionistas, por suas idéias, aliaram-se aos militares e à aristocracia cafeeira, conseguindo, desse modo, predominar sobre a corrente adversária. Os contatos, encontros e reuniões para articular a derrubada do Império eram feitos às claras. Conspiradores como Benjamim Constant, Deodoro da Fonseca e Sólon Ribeiro agiam abertamente e, no dia 14.11.1889, lançaram o boato de que o Governo Imperial havia mandado prender Deodoro e Benjamim, o que provocou a sublevação de 2 regimentos sediados em São Cristóvão, desencadeando a ação militar do dia seguinte, já sob o comando do Marechal Deodoro da Fonseca, o qual, sem derramamento de sangue, proclamou a República do Brasil. A segunda metade do século XIX foi pródiga de acontecimentos decisivos na história do Brasil e, assim a sociedade conheceu importantes transformações econômicas, sociais e políticas, que modernizaram o país e o levaram a adotar relações mais dinâmicas de trabalho, podendo ser citadas como conquistas daquela época, que contribuíram para a Proclamação da República:

- instituição do trabalho assalariado;
- intensificação da imigração, principalmente de europeus;
- abolição da escravidão;
- novas idéias políticas, com a de Federação;
- surgimento de novos partidos políticos e
- enriquecimento do País com o café.

O primeiro Presidente do Brasil foi o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, nascido em Alagoas, em 1827 e que morreu no Rio de Janeiro em 1892. O primeiro Ministério foi assim constituído:
- Campos Sales - Ministro da Justiça
- Floriano Peixoto - Ministro da Guerra
- Eduardo Nandenjkolk - Ministro da Marinha
- Rui Barbosa - Ministro da Fazenda
- Benjamim Constant - Ministro da Instrução Pública
- Francisco Glicéreo - Ministro da Agricultura
- Aristides Lobo - Ministro do Interior
- Quintino Bocaiúva - Ministro do Exterior

Outras personalidades também lutaram pela implantação da República:
- Prudente de Morais
- Saldanha Marinho
- Rangel Pestana
- Silva Jardim
- Francisco Manuel.

* Pesquisa elaborada em Loja, na Sessão Comemorativa de Aniversário da Proclamação da República do Brasil, pelo Irm.·. Mestre Maçom NIRLEI JUNQUEIRA VILELA, aos 21 dias do mês de novembro, de 2000 da E.·. V.·., 6000 da V.·. L.·., no Templo da PALADINOS DA PÁTRIA, na Av. Barbcena, 85, Or.·. de Belo Horizonte.