Principal | Maçonaria | A Loja | Trabalhos | Entre Colunas | História| Palavra do Venerável | Links | Nossa Terra| Espaço Aberto | GORGS | Mapa do Site
Lições de Maçonaria
Loja Fênix - Lisboa / Portugal
![]()
1- Obediências e Potências
Hoje em dia, uma loja individualmente, quer seja de graus simbólicos quer pratique
os graus filosóficos, não tem razão de ser, senão enquadrada numa estrutura
mais ampla: numa Obediência ou numa Potência maçônica. A distinção entre Obediências
e Potências é normalmente muito pequena. Em ambos os casos tratam-se de associações
de três ou mais lojas que reconhecem uma organização e uma administração comuns.
A diferença reside na autonomia de recrutamento.
As Obediências recrutam diretamente do mundo profano para as suas lojas, enquanto as Potências recrutam noutros organismos maçônicos. Assim, os corpos maçônicos dos altos graus são normalmente Potências, enquanto os dos graus simbólicos são sempre Obediências. Em princípio, as Obediências simbólicas denominam-se Grandes Lojas, e todas as suas lojas praticam os mesmo rito, enquanto, se praticarem ritos diferentes, são chamadas Grandes Orientes, Federações ou Confederações. Este conceito de Grande Oriente é porém relativamente recente, conhecendo apesar de tudo exceções. Tanto no passado como atualmente existiram Grandes Orientes onde era somente praticado um rito. No entanto, a diferença em relação às Grandes Lojas é que permitem que as suas lojas trabalhem em outros ritos, desde que regularmente instalados.
Historicamente, as Grandes Lojas surgiram primeiro, em 1717, com a criação da Grande Loja de Londres, que se tornou a Loja-Mãe do mundo e de onde todas as outras Obediências derivam mais ou menos diretamente. A partir de 1723, com as Constituições de Anderson, a Grande Loja passou a opor-se às "lojas particulares". Segundo alguns autores, esta ruptura em relação à tradição representou um recuo iniciático, e o início da decadência da maçonaria tradicional, rejeitando-se uma das mais belas noções maçônicas, "o maçom livre numa loja livre". É, porém, uma opinião discutível.
2- O Rito Escocês Antigo e Aceito
O Rito escocês foi uma das particularidades da Maç.·. francesa, tendo nascido
no seio das lojas "escocesas" implantadas em França, por pessoas próximas
aos Stuart ingleses. No início, apesar das divergências políticas, as lojas
seguiram a mesma tradição das suas congêneres inglesas. No entanto, por razões
políticas, por interesses pessoais e também por razões espirituais cedo surgiram
importantes inovações, sendo a de maior relevo o aparecimento dos altos graus,
aos quais o escocismo está intimamente ligado. O desenvolvimento destes graus
observou-se primeiramente em França e, depois, na Alemanha.
A criação e vitalização do Rito Escocês significaram uma profunda reforma institucional da Maç.·., cujo ideólogo foi o escocês André-Michel de Ramsay (1686-1743), com o seu famoso Discurso de Ramsay, publicado em 1738. A ele se deve, efetivamente, a introdução dos altos graus ao criar, para além dos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre, um rito de três graus de cavalaria: Escocês, Noviço e Cavaleiro do Templo.
A partir de meados do século XVIII começaram a surgir em França corpos de altos graus que consolidaram o Rito Escocês: o primeiro foi o chamado Capítulo de Clermont, criado em 1754, com existência efêmera, enquanto o mais importante foi o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de S. João de Jerusalém, nascido em Paris em 1758, que criou um rito de 25 graus, o chamado Rito de Perfeição ou de Heredom. Em 1761 este Conselho dos Imperadores deu uma carta patente a um dos seus membros, Etienne Morin, de partida para os EUA, que lhe permitia revelar no continente americano os mistérios dos graus superiores.
Os americanos adotaram entusiasticamente os altos graus e elevaram o seu número para 33, pois não acharam suficientes os 25 iniciais para conter toda a ciência de iniciação maçônica e, em 1801, nasceu em Charleston, nos EUA, o primeiro Supremo Conselho dos Grandes Inspetores-Gerais do Trigésimo Terceiro e Último Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, de que foi primeiro Soberano Grande Comendador John Mitchell.
Em 1804 foi criado em Paris um segundo Supremo Conselho, pelo conde Alexandre-François-Auguste de Grasse-Tilly. Assim nasceu institucionalmente o REAA.
O REAA rege-se pelas suas Grandes Constituições, datadas de 1786 e cuja lenda, criada pelos Americanos, as atribui a Frederico II, rei da Prússia.
No século XIX - depois de numerosos Supremos Conselhos terem sido criados em todo o mundo -, para se evitarem conflitos com as potências que administravam os graus simbólicos, os Supremos Conselhos passaram a administrar apenas os altos graus.
Em Portugal, o REAA foi introduzido em 1837, ao nível dos graus simbólicos, pela Grande Loja de Dublin (Irlanda), que chegou a ter em Lisboa uma Grande Loja Provincial do Oriente Irlandês. Na totalidade dos seus graus, o REAA surgiu em 1840 pela mão de Silva Carvalho e da loja lisboeta Fortaleza que constituíram o Grande Oriente do Rito Escocês.
Em 1841, o mesmo Silva Carvalho obteve do Brasil a investidura no 33º grau e autorização para criar um Supremo Conselho, em Portugal, que entrou em funcionamento do 1844.
![]()