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Joaquim Gonçalves Ledo

Traçar linhas acerca de Gonçalves Ledo é tarefa por demais agradável, tendo em vista a importância deste estadista e Maçom na Independência do Brasil. Nome esquecido nos meios acadêmicos, não podemos deixar de render-lhe estas homenagens e dar-lhe, na História do Brasil, o papel que lhe é devido.Aos 11 de dezembro de 1781, nasce Joaquim Gonçalves Ledo, filho de comerciante abastado e já destinado a ser doutor em Leis.

Em 1795, com apenas 14 anos, parte para Portugal, indo estudar em Coimbra, sendo que, por força da morte de seu pai, em 1808, volta ao Brasil, interrompendo seus estudos.Em 15 de novembro de 1815 é instalada no Rio de Janeiro a Loja Comércio e Artes, sendo certo que, em 1808, havia enviado uma carta a seu irmão, que estudava medicina em Londres, afirmando sua intenção de fundar no Brasil a primeira Loja, "que será o centro de propaganda liberal do Brasil".

Ledo era dotado de forte patriotismo e havia sido iniciado na Loja Comércio e Artes, a Primaz do Grande Oriente do Brasil, não podendo haver uma precisão de datas em virtude da destruição de documentos à época.Em 30 de março de 1818, D. João VI, por Decreto, proíbe a existência das "sociedades secretas" e, com isso, são encerradas as atividades da Loja.

Relativamente à participação de Ledo no processo de independência do Brasil e na Maçonaria, Nicola Aslam, ob. cit., narra:

 

F. Soares, representante da Maçonaria em São Paulo, descreve a "Joaquim Gonçalves Ledo, Venerável da Loja Comércio e Artes", os acontecimentos, daquele dia, quando os Maçons paulistas depuseram João Carlos Augusto Oyenhausen, presidente de São Paulo, que representava o governo português.

Nesta ocasião, depois de ter anuído à revolução, José Bonifácio, a que, os revoltosos, já triunfantes, tinham recorrido para a organização da nova governança, repôs no governo o presidente deposto, nomeando-se a si mesmo vice-presidente e dando, ao seu irmão Martim Francisco, a Secretaria do Interior e Fazenda. F. Soares escreve textualmente a Ledo:

"A confiança que V. S. depositou no Conselheiro, e nos Coronéis Lázaro, Lobo, Inácio e outros, foi imerecida. O novo governo já começou, como primeiro ato, a perseguição aos maçons que não concordaram com o Conselheiro José Bonifácio.

Reunimo-nos na casa do patriota José Inocêncio Alves Alvim. Tanto ele, como o irmão Joaquim, foram fiéis até o último instante e, por isso são alvos dos outros que são traidores. "

Apesar de problemas nacionais e outros envolvendo irmãos, aos 24 de junho de 1821 é reinstalada a Loja Comércio e Artes, tendo como Venerável Mestre o Ir\ Ledo. Até a Proclamação da Independência Ledo teve em mente esta idéia, podendo, sem dúvida alguma, ser considerado um dos principais responsáveis pelo fato histórico.

Em julho de 1821, trocara ele correspondência com o Cônego Januário da Cunha Barbosa, afirmando a necessidade de lançar o Revérbero Constitucional, que seria o clarim das idéias de liberdade nacional.O primeiro número do periódico, quinzenal, surge em 15 de setembro deste mesmo ano, com redação de Ledo e do Cônego Januário. Segundo Nicola Aslam, ob. cit., este periódico em muito contribuiu para a Independência do Brasil.

Em 16 de fevereiro de 1822 Ledo é nomeado Conselheiro e Secretário de Estado e, aos 30 de abril, novo exemplar do Revérbero Constitucional é lançado, elogiando Dom Pedro e clamando pela independência.

Em 20 de maio de 1822, saúda D. Pedro, o nosso Irmão Ledo, com uma oração, sendo brilhante este trecho:

A América deve pertencer à América, a Europa à Europa; porque não debalde o Grande Arquiteto do Universo meteu entre elas o espaço imenso que as separa...

Em 01 de junho é eleito Procurador Geral pela Província do Rio de Janeiro e, no dia seguinte, instalado o Conselho de Estado, fazendo parte dele Ledo.

É requerida pelos Procuradores Gerais uma Assembléia Constituinte ao Príncipe D. Pedro, que não agrada muito a José Bonifácio.

Em 17 de junho de 1822 é fundado o Grande Oriente Brasiliense, tendo sido seu Grão Mestre José Bonifácio, por nítida influência de Ledo, que seria seu 1º Grande Vigilante e verdadeiro dirigente da Instituição.

Ledo foi atacado, por diversas vezes, de conspirar contra a Monarquia, porque desejava-a constitucional. No entanto, não sabem os historiadores informar, se por ciúmes ou vinganças pessoais, atacavam-lhe de republicano. Por certo Ledo jamais fora um republicano, mas defendia a monarquia constitucionalista, como sendo a melhor forma para o Brasil.

Em 14 de outubro D. Pedro oferece a Ledo o título de Marquês da Praia Grande, mas este recusa a honraria, posto entender que não poderia aceita-lo, mas aceitaria de grande prazer o título de patriota brasileiro.

Dom Pedro, como era de costume em momentos de ira, desferiu palavras ásperas a Ledo, afirmando que o mesmo não tomaria assento à Câmara. No entanto, diversos fatos fazem com que Ledo seja obrigado a embarcar para Buenos Aires, porque a "tarja" de republicano poderia levar-lhe a própria vida.

Absolvido das acusações à ele impostas, Ledo retorna ao Brasil, em 1823, tendo sido agraciado, em 17 de fevereiro de 1824, pelo Imperador, com a Dignatária da Ordem do Cruzeiro do Sul, mas, assim como com o título de Marquês, ele recusa.

Segue-se, assim, a cronologia política de Ledo, bem como a Maçônica:

1826 – 1833 – eleito para as duas primeiras legislaturas do Império

1828 – é convidado para ser Ministro do Império, mas recusa 

1831 – é reinstalado o Grande Oriente do Brasil, com Bonifácio à frente do Grão Mestrado e Ledo como 1º Grande Vigilante

1832 – Manifesto redigido por Ledo, às Potências Maçônicas do Mundo, onde consta:

 

A voz da política nunca mais soará no recinto de nossos Templos, nem o bafo impuro dos partidos e das facções manchará as purezas de nossas colunas

1835 – Ledo consta entre os Deputados da Assembléia Provincial do Rio de Janeiro

Neste mesmo ano abandona a política e a Maçonaria, indo recolher-se em sua fazenda, em Sumidouro, vindo a falecer, com 66 anos de idade, aos 19 de maio de 1847, de ataque cardíaco.

Fonte : Página A Maçonaria na Internet.