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Grande Oriente e Constituição

Loja Fênix - Lisboa / Portugal

Nos começos dos século XIX, o número de lojas e de filiados justificava já uma organização bastante completa da Ordem, consoante os modelos britânico e francês. Em 1801 realizou-se em casa de Gomes Freire de Andrade (embora sem a sua presença) uma assembleia geral de maçons portugueses, com a comparência - reza a tradição - de uns 200 irmãos. Reconheceu-se a necessidade de criar uma Grande Loja ou Grande Oriente Português, que substituísse a Comissão de Expediente, de seis membros, instituída desde havia anos para coordenar a sactividades da Ordem. Para o efeito, deslocou-se a Londres, em 1802, o irmão Hipólito José da Costa, que negociou e obteve o reconhecimento. Depois de alguma espera, motivada pela sua prisão e pelo confisco dos documentos que trazia, pôde reunir-se. no Verão de 1804, uma dieta ou assembleia formal que decretou a instituição do Grande Oriente Lusitano e elegeu, como seu primeiro grão-mestre, o desembargador Sebastião José de São Paio de Melo e Castro Lusignan, neto do 1º marquês de Pombal. Dois anos mais tarde, em Julho de 1806, votava-se a primeira Constituição maçónica portuguesa, com uma Loja e uma Câmara de Administração independentes, funcionários eleitos, legislaturas, etc. Dezasseis anos antes da Constituição liberal de 1822, este texto prescrevia e prenunciava as normas principais do ideário liberal, efectivado pelas Revoluções Americana e Francesa poucas décadas atrás.

A Constituição de 1806 foi votada por representantes de oito lojas nacionais: União, nº 1, Regeneração [nº 2?]; Virtude [nº 3?]; Amizade, nº 5; Concórdia, nº 6; Fidelidade; Amor da República; e Beneficência. O número de maçons então existentes no Reino rondaria talvez os 200. Desde, pelo menos 1800, que os irmãos portugueses, por compreensível medida de precaução, adoptavam um nome simbólico ao serem iniciados. José Liberato Freire de Carvalho era o Spartacus. Num passaporte de 1804, que é o mais antigo documento subsistente dessa época heróica da Maçonaria lusitana, surgem nomes simbólicos de Egas Moniz (o Grão-Mestre), Cincinato (1º Grande Vigilante), Tito (2º Grande Vigilante), Sólon (Grande Administrador), Anjou (Grande Chanceler), Aquiles (Grande Experto), Abner (Grande Orador), Graco (Grande Secretário, interino), Belisário (Grande Tesoureiro) e Wagisthon (Grande Tesoureiro).