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A Simbologia na Maçonaria
Irm:.
Joaquim Roberto Pinto Cortez
Or:. de Marília SP
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1 DEFINIÇÕES
Quando lemos uma das mais comuns definições da Maçonaria: "É um sistema de moral velada por Alegorias e ilustrada por Símbolos", notamos, desde o início, a presença das palavras Alegorias e Símbolos.
É bastante comum haver uma confusão entre os sentidos destas palavras, misturando-se os seus valores, empregando-se uma terceira palavra, emblema, como sinônima.
Esta mistura pode ser vista nos diversos dicionários. Trazemos aqui as definições contidas no Grande Dicionário Aurélio:
EMBLEMA: 1 Figura simbólica, insígnia; Símbolo. 2 Distintivo ou insígnia de instituição, sociedade, associação, etc., que se usa na lapela.
SÍMBOLO: 1 Aquilo que, por um princípio de analogia, representa ou substitui outra coisa... 10 Alegoria, comparação, metáfora.
ALEGORIA: 1 Exposição de um pensamento sob forma figurada; 2 ficção que representa uma coisa para dar idéia a outra; 3 Seqüência de metáforas que representam uma coisa nas palavras e outra no sentido.
Para a Maçonaria, no entanto, existem sutis diferenças no sentido em que estas palavras devem ser tomadas. É claro que aqui, apresentamos o entendimento que tiramos em nossos diversos estudos, o que não quer dizer que esteja, necessariamente, certo e definitivo.
Em primeiro lugar, vamos à palavra Emblema, que pouco interessa para nossos estudos. Entendemos que o emblema é apenas um distintivo como, por exemplo, o esquadro e o compasso que usamos em nossas lapelas. Visto por qualquer pessoa, ele lembrará sempre a Maçonaria, sendo, então, apenas um distintivo. O emblema traduzirá, portanto, sempre a mesma idéia simples e constante.
Para a Maçonaria interessam as palavras Símbolo e Alegoria. De início, poderíamos fazer uma distinção: as Alegorias são os véus que ocultam os verdadeiros sentidos das coisas, enquanto que os Símbolos procuram transmitir idéias.
Neste sentido, Alegoria será exatamente como está definida no Aurélio: "Ficção que representa uma coisa para dar idéia de outra". Alguns autores dividem-na em apólogos e parábolas. Os apólogos encerram, sempre, uma lição de Moral, como nas fábulas de La Fontaine, enquanto que as parábolas trazem uma doutrina religiosa. Jesus Cristo, em suas pregações, falava, quase sempre, através de parábolas.
O Símbolo sempre representará uma idéia, não sendo o desenho em si. O sentido que ele encerra é muito mais profundo, traduzindo a idéia que lhe deu origem. Desta forma, torna-se difícil interpretar um Símbolo, pois ele pode ser analisado sob diversos aspectos.
Apenas um exemplo, para deixar melhor esclarecida a idéia de um Símbolo.
O Esquadro e Compasso sobre o Livro da Lei não é mais um emblema e sim um Símbolo, pois aqui já representam uma idéia.
2 A SIMBOLOGIA
Nós iremos tratar, com mais profundidade, aquilo que está relacionado com os Símbolos, que é o nosso principal objetivo.
A Maçonaria é uma sociedade iniciática extremamente simbólica, procurando transmitir seus conhecimentos, sua tradição, sua filosofia, a todos os seus Iniciados, através de uma variada Simbologia.
Anteriormente dissemos que um Símbolo pode ter diversas interpretações. Essas interpretações podem ter caráter pessoal, pois a partir do momento em que o Símbolo pretende transmitir uma idéia, esta será entendida de acordo com o conhecimento e nível intelectual de cada indivíduo.
Por exemplo, a presença do Compasso e Esquadro sobre o Livro da Lei, em reuniões do Grau de Aprendiz, em geral, é entendida como a predominância da matéria sobre o espírito. Em outros Graus esta idéia será modificada, conforme o Grau, sem que a presença do Esquadro e Compasso sobre o Livro da Lei deixe de existir.
A Maçonaria, a partir de sua transformação de Operativa em Especulativa, ganhou muito em nível intelectual. Este crescimento intelectual trouxe, principalmente nos séculos XVlll e XlX, novas e importantes luzes para a Nobre Ordem. No entanto, esta nova intelectualidade trouxe, também, para o nosso meio, a vaidade e a ambição. Neste período, em especial, na França e na Alemanha, vamos notar uma enorme proliferação de Ritos e Altos Graus que, por pouco, não conseguiram afundar a nossa instituição no Caos.
Assim, inúmeras correntes de pensamento foram sendo agregadas à Maçonaria. Idéias tiradas da Bíblia, da Cabala, do Hermetismo, dos Templários, da Ordem Rosa Cruz, da Magia, da Astrologia, de antigas religiões e de seus processos iniciáticos, de lendas gregas e egípcias, enfim, de uma infinidade de origens, deram entrada na Ordem Maçônica neste período.
Não nos cabe, neste momento, fazermos uma crítica específica a este conjunto de idéias e sim, lembrarmos que trouxeram para nós um novo e imenso conjunto de Símbolos. É evidente, também, que um Símbolo, sendo analisado sob uma linha de pensamento, terá determinado valor. Se mudarmos a linha de pensamento, o mesmo Símbolo poderá ter novo valor.
Outro aspecto que merece ser destacado é de que todo o Símbolo pode ser visto sob três aspectos: o literal, o figurado e o oculto.
Para explicar estes três aspectos preferimos utilizar um exemplo. A "Pedra Bruta", sob o aspecto literal, não passa de um pedaço de rocha colado em um canto da Loja. Neste sentido não haverá o menor valor para nós. No sentido figurado, podemos entendê-la como o local onde todos os Maçons iniciaram seus Trabalhos dentro da Maçonaria. Isto é, o local onde todos nós começamos nosso aprimoramento.
No sentido oculto, e aqui vai uma interpretação pessoal, a "Pedra Bruta" pode significar a minha pessoa, passando por um contínuo processo de polimento, em busca de um aperfeiçoamento maior, a cada instante. Não podemos nos esquecer que seremos, sempre, os Eternos Aprendizes.
Pessoalmente, eu não tenho dúvidas quanto à origem de nossa Maçonaria atual. Ela é fruto de Antigas Corporações de Pedreiros, na Inglaterra, tornada Especulativa, com a aceitação de pessoas que nada tinham a ver com o ofício, mas que trouxeram novas forças e um impulso imenso, dando-lhe, a partir do início do século XVll, o caráter universal que ela tem hoje.
Em homenagem a estas origens e mesmo porque, seria absurdo, tentarmos um estudo de toda a Simbologia Maçônica, nós ficaremos, aqui, apenas com os Símbolos principais, trazidos da Maçonaria Operativa.
3 OS SÍMBOLOS DA MAÇONARIA OPERATIVA
A grande riqueza do Simbolismo Maçônico atual é devida, principalmente, aos franceses. Os Rituais antigos, das Grandes Lojas Inglesas, eram muito mais simples e os Símbolos operativos eram apenas citados. Posteriormente com a entrada dos especulativos e as novas correntes de pensamento, a interpretação dos Símbolos passou a ter novas conotações.
A interpretação dos Símbolos é, talvez, o mais difícil ramo do estudo maçônico e em seu nome muitos absurdos foram cometidos. Na ânsia de procurar sentidos ocultos em nossa Simbologia, criou-se um pseudo-misticismo fanático e mistificador. Inúmeros inventores tentam nos fazer engolir uma série, sem fim, de disparates e maluquices.
Nós, que vemos a Maçonaria com os dois pés no chão, vamos procurar apoio, nesta parte de estudos, em autores que trabalham sério, procurando acabar com os falsos mitos e seus inventores. Torna-se desnecessário citá-los nominalmente, pois esta simples exposição de idéias que se seguirá, é mais do que suficiente para identifica-los. Lógico que procuramos seguir, também, nossas próprias convicções.
Aqui, vamos estudar o Esquadro e o Compasso, o Malho e o Cinzel, o Prumo e o Nível, a Régua e a Alavanca e, finalmente, a Trolha.
Em primeiro lugar vamos apresentar dois aspectos que são aceitos, praticamente, por todos os autores.
São chamados de instrumentos ativos: o Compasso, o Malho, o Prumo e a Régua. Estes instrumentos são, em geral, relacionados como Espírito e com o lado masculino.
São chamados instrumentos passivos: o Esquadro, o Cinzel, o Nível e a Alavanca. Estes instrumentos são, em geral, relacionados com a matéria e com o lado feminino.
Por último, temos a Trolha que é considerada como um instrumento neutro.
O segundo aspecto é o sentido geral de cada um deles:
COMPASSO Medida na pesquisa.
MALHO Vontade na ação.
PRUMO Profundidade na observação.
RÉGUA Precisão na execução.
ESQUADRO Retidão na ação.
CINZEL Discernimento na investigação.
NÍVEL Emprego correto dos conhecimentos.
ALAVANCA Poder da vontade.
TROLHA Tolerância e Apaziguamento.
Desnecessário é dizer que estes dois aspectos acima foram transcritos de diversos autores, pois parecem ser aceitos como uma verdade indiscutível e, portanto, não serão nenhuma novidade.
O COMPASSO O Compasso é considerado um Símbolo da espiritualidade e do conhecimento humano. Sendo visto como Símbolo da espiritualidade, sua posição sobre o Livro da Lei varia conforme o Grau. No Grau de Aprendiz, sua posição indica que existe, por enquanto, a predominância da matéria sobre o espírito. A abertura indica o nível do conhecimento humano, sendo esta limitada ao máximo de 90º, isto é ¼ do conhecimento.
A sua Simbologia ainda é muito mais variada, podendo ser entendido como Símbolo da justiça, com a qual devam ser medidos os atos humanos. Simboliza a exatidão da pesquisa e ainda pode ser visto como Símbolo da imparcialidade e infalibilidade do Todo-Poderoso. É também a terceira das Grandes Luzes que iluminam uma Loja.
O MALHO O Malho é um instrumento de trabalho dos mais utilizados pelo Aprendiz. Em seu primeiro trabalho, o Aprendiz começa a desbastar a Pedra Bruta e, a partir daí, tem início seu eterno aprimoramento.
Considerado como um instrumento ativo, é o Símbolo da vontade, da força, do trabalho, da determinação. Não devemos nos esquecer que o Malhete, nas mãos dos Veneráveis e Vigilantes, nada mais é do que um pequeno Malho. Aqui ele representará o poder e a autoridade de quem dirige.
Um aspecto fundamental na utilização deste instrumento é o do discernimento e lógica que devem conduzir a vontade. Utilizando ao acaso, com força apenas, ele passará a ser um instrumento de destruição, incompatível com a Maçonaria.
O PRUMO O Prumo é a terceira das Jóias Móveis da Maçonaria Simbólica, sendo o atributo do 2º Vigilante.
É também um Símbolo ativo, mostrando com a sua forma, a profundidade com a qual devem ser feitas nossas observações e estudos. Dentro deste aspecto, pode ser considerado como Símbolo da Justiça, com a qual devam ser praticadas todas as nossas ações.
Para alguns, é visto como Símbolo do Equilíbrio e da Estabilidade que deve existir dentro da Ordem.
A RÉGUA O primeiro dos instrumentos apresentados ao Aprendiz, no Rito Escocês Antigo e Aceito é a chamada Régua de 24 Polegadas. Trata-se de um instrumento ativo, cuja primeira idéia que nos impõe, é a da medida. Com ela podemos traçar as retas e os ângulos e, portanto, delinear nossos trabalhos. Dá-nos, a um só tempo, a noção da retidão e do infinito, pois toda a reta é infinita.
Com suas 24 Polegadas, pode nos dar a noção do tempo, das 24 horas do dia. Isto pode significar que podemos, não só delinear o trabalho, mas também calcular, exatamente, o tempo e o esforço que será despendido neste mesmo trabalho.
O ESQUADRO O primeiro instrumento passivo e companheiro por excelência do Compasso é o Esquadro. Seu desenho nos permite traçar o ângulo reto e, por tanto, esquadrejar todas as formas. Deste modo, é visto como Símbolo, por excelência, da retidão. É também a primeira das chamadas Jóias Móveis de uma Loja, constituindo-se na Jóia do Venerável, pois, dentre todos, este deve ser o mais justo e eqüitativo dos Maçons.
O Esquadro, ao contrário do Compasso, representa a matéria; por isso é que, em Loja de Aprendiz, ele se apresenta sobre o Compasso. Predominância da Matéria sobre o espírito representa ainda a 2ª Grande Luz que ilumina uma Loja.
O CINZEL Instrumento considerado passivo, companheiro inseparável do Malho. Destina-se a receber a aplicação da Força do Malho, dando-lhe direção. Indispensável no polimento da Pedra Bruta. Enquanto o Malho simboliza a Força do 1º Vigilante, o Cinzel representa beleza, atributo do 2º Vigilante.
Sendo seguro sempre pela mão esquerda e movido pelo Malho, vai produzindo o desbaste da Pedra Bruta, produzindo a Beleza final. Simboliza, desta forma, a Educação, a Inteligência, o Aperfeiçoamento. Para alguns, é o Símbolo do trabalho do homem sobre si mesmo, em busca do eterno aprimoramento.
O NÍVEL O verdadeiro Nível Maçônico é aquele que, ao mesmo tempo, mostra-nos a horizontal e a vertical. Isto é, ao completar o ângulo reto com a horizontal, o Prumo comprova a verdadeira horizontalidade. Visto desta forma, ele é o atributo do 1º Vigilante, sendo, por conseguinte, a 2ª das Jóias Móveis de uma Loja.
O Nível é Símbolo da Igualdade entre os Maçons. Dentro da Maçonaria, consideramos os homens iguais perante as leis naturais e sociais. Lembra-nos, ainda, que tudo na vida deve ser encarado com igual serenidade, trazendo a noção exata da igualdade, tolerância e imparcialidade.
A ALAVANCA A Alavanca é o instrumento passivo que sempre deve acompanhar a Régua. A Alavanca simboliza o esforço e a perseverança que são utilizadas com a razão, representada pela Régua. É um instrumento que deve ser visto com mais profundidade em outros Graus.
A TROLHA O último dos instrumentos da Maçonaria Operativa que nos servem de Símbolo é a Trolha. Trata-se de uma espécie de pá achatada com a qual os Pedreiros assentam e alisam a argamassa. Sendo um instrumento neutro, deve ser visto como um Símbolo da tolerância, com que o Maçom deve aceitar as possíveis falhas e defeitos dos demais Irmãos.
Pode ser vista, também, como um Símbolo do amor fraternal que será, então, o único cimento que uniria toda a Maçonaria. Desta forma, passar a Trolha, significa perdoar, desculpar, esquecer as diferenças. Entendida desta forma, pode ser vista como Símbolo da Paz que deve reinar entre os Irmãos.
4 CONCLUSÕES
Diante das dificuldades existentes para a interpretação dos Símbolos e considerando a imensa quantidade de correntes de pensamentos existentes na Maçonaria, a exposição dos valores simbólicos dos instrumentos aqui apresentada, pretendeu apenas e tão-somente, mostrar as mais simples interpretações dos Símbolos da antiga Maçonaria Operativa. Não tivemos a pretensão de esgotar o assunto e muito menos fazermos exercícios mentais para encontrarmos novas e mirabolantes explicações.
O objetivo principal foi o de trazer algumas luzes para os Aprendizes que estão no início do caminho da Nobre Ordem. Foi objetivo, também, de mostrar uma trilha segura, onde os Irmãos possam caminhar, sem o risco de escorregões e quedas dentro da Maçonaria.
Se estes objetivos foram alcançados, ao menos parcialmente, posso me dar por satisfeito e com minha missão cumprida.
Uma vez cumprida a missão, agradeço a todos os Irmãos a paciência e a atenção que me deram até agora e finalmente apresento a BIBLIOGRAFIA utilizada para a sua composição:
1 - ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, 4 Volumes, Editora Arte Nova. Rio de Janeiro, RJ.
2 - CASTELLANI, José. Caderno de Estudos Maçônicos. Volume 2. Editora Maçônica "A TROLHA". Londrina, PR.
3 - CHARLIER, Rene Joseph. Pequeno Ensaio de Simbólica Maçônica. Edições E. D. O. Ribeirão Preto, SP.
4 - FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, R
5 - FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Editora Pensamento. São Paulo, SP.
6 - MELLOR, Alec. Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons. Editora Martins Fontes. São Paulo, SP.
Foram utilizados também, dois Trabalhos de minha autoria e inéditos ainda:
Símbolos e Alegorias.
As Correntes de Pensamento na Maçonaria.
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