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A Maçonaria Portuguesa em 1926

Loja Fênix - Lisboa / Portugal

Em fins de 1926, depois de conseguida a união das duas Maçonarias portuguesas, existiam em Portugal Continental, Insular e Ultramarino 3153 maçons agrupados em 115 lojas e triângulos. Para uma população de cerca de 6500000 pessoas - não se incluindo os indígenas das colónias - aquele número correspondia a perto de 0.05 por cento, ou, por outras palavras, a um maçon por cada 2000 habitantes.

Era uma proporção muito aceitável. No panorama da maçonaria europeia continental, portugal situava-se sensivelmente a meio. Ficavam-lhe acima países como os da Escandinávia, a Suíça, a Alemanha, a França, a Holanda, a Hungria e a Bélgica. Mas ficavam-lhe abaixo muitos outros, incluindo o país vizinho. De facto em Espanha, com 23 milhões de habitantes, contavam-se 4900 pedreiros-livres apenas, ou seja 0,02 por cento: um maçon por cada 4700 habitantes, menos de metade de Portugal. A Maçonaria portuguesa, superada a difícil fase da cisão, possuía todas as condições para voltar a desempenhar o papel de relevo dos primeiros anos da República.

O orçamento do Grande Oriente Lusitano Unido para 1927 previa uma receita de mais de 160 contos e uma despesa de 116 contos, o que atestava da importância da organização.

 

O movimento de 28 de Maio de 1926 não se repercutiu directa e imediatamente na Maçonaria. Alguns dos seus chefes, a começar pelo próprio Carmona, eram pedreiros-livres. Até 1929, a Maçonaria teve plena liberdade de acção, embora recrudescessem contra ela os habituais ataques e se começasse a notar certo afrouxamento de actividade devido às hasitações e ao receio de muitos filiados.

A preocupação pelos acontecimentos do País, com o marcado surto do reaccionarismo em suas variadas formas e a manutenção do estado ditatorial, foi norteando, porém, a atitude da maioria dos maçons desde o movimento de Maio. Na revolta de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura, tomaram já parte numerosos pedreiros-livres. E em 31 de Outubro do mesmo ano, alarmado com a "tenebrosa construção social levada a efeito pelos jesuítas, apoiados em poderosas oligarquias financeiras e políticas manobradas a seu talante", o Conselho da Ordem, presidido pelo médico Dr. Ramón Nonato de La Féria, dirigia-se a todas as oficinas e obreiros do País, propondo-lhes um programa detalhado de contra-ofensiva em 23 pontos, que incidiam praticamente sobre todos os ramos da vida nacional.