Principal | Maçonaria | A Loja | Trabalhos | Entre Colunas | História| Palavra do Venerável | Links | Nossa Terra| Espaço Aberto | GORGS | Mapa do Site

 

1887 - UMA MOÇÃO DA MAÇONARIA GAÚCHA CONTRA UM
          TERCEIRO REINADO E PELA MUDANÇA DO REGIME  

Ir.:  José Castellani

 
A campanha republicana, no Brasil, recrudescia, a partir de 1885. A par das atividades militares, com a atuação de muitos maçons, era grande a efervescência nas Lojas e nos clubes republicanos de inspiração maçônica, destacando-se, nesse período, muitos maçons civis, que seriam chamados de republicanos históricos:

Quintino Bocayuva (fundador do jornal "A República" e futuro Grão-Mestre do Grande
Oriente do Brasil), Campos Salles (futuro presidente da República), Prudente de Moraes (primeiro presidente civil da República), Silva Jardim, Rangel Pestana, Francisco Glicério, Américo de Campos, Pedro de Toledo, Américo Brasiliense, Ubaldino do Amaral, Aristides Lobo, Bernardino de Campos, entre outros.    
Além disso, várias Lojas e obreiros aprovaram propostas contrárias ao advento de um terceiro reinado e pela implantação da República, enviando o seu parecer a todas as demais Lojas, embora não tenha, a receptividade de algumas, sido boa. Assim é que, a 21 de fevereiro de 1887, em reunião da Loja "Vigilância e Fé", de São Borja, província do Rio Grande do Sul, era aprovada proposta do Irmão Aparício Mariense da Silva --- encaminhada, depois, a todas as Lojas do Brasil --- no sentido de que fosse evitada a implantação do Terceiro Reinado.     Os trechos principais dessa proposta, são os seguintes:    

"Para aquelles que encaram as mais graves questões sociaes com criminoso desinteresse, occupados só e exclusivamente do Eu-Tezouro inestimavel do egoismo; para aquelles que vivem distanciados da humanidade, porque com ella pouco se preocupam e que fazendo parte de uma instituição que tem por divisa a luta incessante pela felicidade comum, faltam aos mais rigorosos de seus deveres, sem a menor perturbação de consciencia; para aquelles, finalmente, que deixam os destinos da patria correr á mercê de todas as eventualidades, o momento actual é placido, é de profunda quietação, porque não veem nem sentem coisa alguma que lhes venha perturbar a paz indolente, a indiferença imperdoavel dessas almas insensiveis.    
Mas para aquelles cuja maioria constitue o povo maçonico, que possuem sentimentos altruistas, alguma coisa de grande, de elevada e de grave lhes terá despertado a attenção. Terão observado que para a Maçonaria Brazileira a epoca actual é de profunda é de completa transição; terão reconhecido que alguma cousa mais é preciso fazer, alem de reunir-se nos templos, para tratar da vida economica dos mesmos;
terão finalmente observado que o inimigo de todos os tempos virá amãnhã, appoiado em poderosos elementos enffrentar-nos em nossa marcha descuidosa. (...) Estamos no momento em que bem dizia o venerando  Saldanha Marinho: a Familia, a Patria, a Honra e a propria Consciencia perigam!     (...)
A Maçonaria que se levante, oppondo-se firmemente, no caso fatal da morte do imperante. á successão de Izabel.    
Que evite  por todos os meios honrosos, embora violentos, a coroação da princesa.    
O povo que se governe e a Maçonaria que intervenha para a fundação de um governo livre e moralizado.    
Os obreiros da Loja "Perseverança e Fé", pezando a responsabilidade tremenda de que partilham, se dirigem  em nome da Officina a todas as Lojas do Brazil   especialmente ao Grande Oriente, convidando-os a evitar a  todo transe a implantação do Terceiro Reinado.     Eis Respeitaveis Irmãos o que venho  propor-vos convencido  de que assumpto de tanta magnitude merecerá a vossa attenção".    

A proposta foi aprovada e o manifesto foi enviado a todas as Lojas.      O mesmo Irmão Apparicio Mariense da Silva, como vereador, apresentou, à Câmara Municipal de São Borja, a 31 de outubro de 1887, uma moção plebiscitária, propondo que a Câmara representasse, à Assembléia Provincial, sobre a necessidade de se dirigir à Assembléia Geral, para que se consultasse a nação sobre a conveniência da "successão no trono brazileiro de uma Senhora obcecada  por uma educação jesuitica e casada com um principe estrangeiro".
A moção acabaria sendo aprovada em terceira discussão, com uma emenda: que a palavra "jesuítica" fosse substituída  por "religiosa". Parece, todavia, que não houve conseqüências, pois não se tem notícia de chegada
da proposta  à Assembléia Geral.


                   Do livro "Do Pó dos Arquivos" -
                Volume II - Editora A Trolha - 1996